quinta-feira, 31 de março de 2011

Amor que acaba é amor?

A indagação supracitada foi feita por um aluno ao meu amigo durante uma aula de análise sócio-filosófica e me deixou bastante excitado a emitir minha opinião sobre tal assunto - que, por sinal, é muito abrangente. Pois bem, resumirei ao máximo meus pensamentos sobre para obter uma resposta concisa e coerente a essa pergunta.


Todo amor humano está sujeito à cessação. Não creio na existência de um amor eterno entre os seres humanos, mas sim na sustentação desse conjunto de sentimentos, valores e atitudes que surge durante as relações interpessoais.

Modus in rebus, Santo Agostinho foi muito infeliz, em minha opinião, ao dizer que não existe amor que morra um dia; e que, se morreu, é porque nunca existiu. Talvez o motivo pelo qual ele tenha generalizado, de forma errônea, a afirmação supramencionada tenha sido a sua fé no amor divino - que é incondicional.

Outrossim, aplica-se tal rifão a todos os iludidos e ignorantes que dizem que o amor verdadeiro nunca morre (aprenda que nas relações humanas a palavra NUNCA inexiste). Tenho certeza de que não existe amor falso e amor verdadeiro: existe, pois, somente o amor e suas subdivisões em amor efêmero amor duradouro.

São Tomás de Aquino foi sábio ao compreender que não existe amor incondicional entre homens. Apenas o amor de Deus por nós é irrevogável e perene.

O amor é muito mais que um simples elemento; porquanto é um conjunto de sentimentos da alma, como a afeição, o carinho, a amizade, a paixão, a felicidade e a confiança; de valores humanos, como a fraternidade, a igualdade, a moral, a ética e a liberdade; de atitudes pessoais, tais como o zelo, a atenção, o companheirismo, o cavalheirismo, o romantismo, a criatividade, a fidelidade, a superação, a inovação e a renovação.


Assim como as flores do campo necessitam de chuva e sol para florirem, complexo designado amor também necessita ser sustentado dia após dia por esses sentimentos, valores e atitudes. O amor é flexível, mutável, sofre alterações e precisa ser rejuvenescido constantemente.

Caso contrário, pode ser que, ao longo da vida, esse amor venha a ser efêmero e infeliz, marcado por tristezas, feridas na alma, ressentimentos, apatia e infelicidade conjugal. Nessa hipótese, o amor pode vir a deixar de existir, embora tenha existido.

arte de amar consiste em inovar e renovar, constantemente, esses sentimentos, valores e atitudes pertinentes ao conjunto amor, lato sensu. Apenas dessa forma, seremos eternos galanteadores e alcançaremos a felicidade conjugal.

Logo, amor que acaba pode ter sido amor.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Punição na escola: que disciplina é essa?

Punição na escola: que disciplina é essa?


                                       A punição aplicada à educação e ao exercício da cidadania



   Hodiernamente, percebo que a sociedade está cada vez mais preocupada com a formação educacional e moral dos estudantes – haja vista que eles são a nova geração e, portanto, o futuro da nação. Tal preocupação deve-se ao fato de que a situação tornou-se caótica e inadmissível, uma vez que grande parte dos alunos não respeita e tampouco valoriza os educadores e as autoridades superiores a eles.
   Sou totalmente a favor da punição rígida e severa aos alunos que apresentarem sintomas de má conduta e indisciplina na escola. Sou adepto à teoria de que, quando a instituição se deparar com alunos que não receberam uma educação familiar plausível e que, portanto, não possuem a educação necessária para respeitarem seus mestres e colegas, tornar-se-á necessário o uso de punições austeras e corretivas sobre tais aprendizes. Sendo assim, os discípulos perceberão que, em todas as vezes que desrespeitaram as autoridades constituintes sobre eles, foram punidos. Logo, o cérebro destes educandos processará esta ação-reação como algo negativo e, de certa forma, esses indivíduos estarão fadados a sofrerem mutações morais e éticas – a fim de que possam adaptar-se melhor ao meio e às regras escolares.
   Resumidamente, o exercício da autoridade com o emprego da violência psicológica benéfica sobre alunos indisciplinados molda o caráter do jovem revoltado e indisciplinado e o ajuda a compreender que, se ele não transformar-se e adaptar-se ao ambiente escolar, continuará sendo repreendido e poderá até mesmo ser expulso da instituição educacional à qual ele pertence – embora não seja essa a melhor solução.
   Nas escolas dos tempos remotos de meu avô, por exemplo, havia o hábito de usarem a palmatória à correção dos alunos – apenas quando eles desrespeitavam os professores ou deixavam de cumprir suas obrigações. Sim, nessa época, há aproximadamente setenta anos, a punição era rigorosa e um tanto quanto fisicamente violenta, além de afetar o psicológico do indivíduo – mas, curiosamente, todos faziam total silêncio, durante a aula, em respeito ao mestre.
   Não se torna necessário, hoje, o uso da palmatória, pois existem outras políticas educacionais de punição a alunos rebeldes, que são mais pacíficas, como, por exemplo, a elaboração de reuniões com os pais, professores, diretores e alunos, além da aplicação de advertências, suspensões ou até mesmo transferências de alunos indisciplinados.
   Está faltando, porém, a aplicação rigorosa dessas políticas educativas. A escola não pode ser passiva diante situações como essas, onde há indisciplina por parte do aluno, pois estou convicto de que um indivíduo sem princípios éticos é um empecilho ao desenvolvimento da população. A função da instituição, como sendo uma formadora de seres humanos conscientes, é, entre outras, complementar a formação do caráter do indivíduo, ensinando-lhe a exercer a imprescindível e fundamental cidadania e a respeitar as pessoas independentemente da cor, religião, etnia, classe ou função social.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Ano Novo



Mais um ano se vai,
E eis que todas as oportunidades
Sorriem para nós, novamente.

Erramos várias vezes,
Nos velhos anos, mas cada derrota
Teve uma percentagem de vitória,
Pois nos ensinaram lições imprescindíveis
Sem as quais não poderíamos galgar
Degraus superiores
Rumo à sabedoria e à felicidade.

Errar é humano,
Mas errar sempre é tolice.
Por isso, desejo que você
Erre, para que aprenda, mas não
Insista em errar, para que não se
Torne tolo.

Aprenda com os seus próprios erros,
Mas, se possível, aprenda com os dos
Outros, pois sábio é aquele
Que observa tudo para que
Possa agir com prudência e sensatez
E, por conseguinte, evitar os mesmos
Erros, no futuro.

Desejo que o Sol e a Lua lhe iluminem,
Durante este novo ciclo que se
Inicia, e abram seus olhos para
Que você possa observar a nossa
Pequenez diante à imensidão do Cosmus.

Desejo que você chore, pois,
Assim, poderá limpar sua alma e renovar
Suas emoções, a fim de que você
Enxergue a vida e as pessoas de outra forma
E possa compreender o comportamento
Humano com maior sensibilidade e
Perspicácia.

Desejo, outrossim, que você
Ria, não muito, para que não
Se torne insosso, nem pouco,
Para que não seja o carrasco.
Mas na medida do necessário,
Para que seus dias se tornem mais
Felizes e descontraídos e as pessoas
Ao seu redor sejam contagiadas por
Esta energia positiva que irradia de
Seu benévolo e magnífico interior.

Desejo que você aprecie os
Momentos mais simples da vida,
Pois são eles que ficam marcados,
Eternamente, em nosso coração e
Em nossa memória.

Desejo, ademais, que você ame todas as pessoas.
Não as que já te amam, pois não há
Glória alguma nisso, mas as que lhe odeiam,
Pois isso fará de você um homem de
Exímio coração e caráter e todos irão lhe
Admirar e respeitar.
Não há nada mais magnânimo que
Tratar com compaixão e amor aqueles
Que nos trataram com ignorância e ódio.

Desejo que você seja próspero, pois o dinheiro
É prático e facilita as coisas.
Que você seja humilde, pois os soberbos
E orgulhosos serão humilhados e
Desonrados.
Que você seja um fiel e excelente
Amigo a todos.
Que seja o melhor marido à sua esposa
E que, sendo mulher, seja a melhor
Esposa ao seu marido.
Que seja o melhor filho a seus pais,
Pois não há nada mais digno e gratificante
Quanto honrar a quem mais nos ama.

Desejo, mais que tudo, que
Você seja feliz, muito feliz.

E lembre-se, sempre, que não há valor na intenção sem ação.

Sonhos são gratuitos, mas, para que os transformemos em realidade, é necessário que paguemos um preço!

(Leonardo Távora Fonseca)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mude

Mude,
Mas, comece devagar,
Comece na sua velocidade.

Sente-se diferente, em outra cadeira,
No outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, ande pelo outro lado da rua,
Depois, mude de caminho,
Ande por outras ruas, mais devagar,
Observando os lugares por onde passa.
Tome outros ônibus, se for o caso.
Mude por uns tempos o estilo das roupas,
Dê os seus sapatos velhos,
Procure andar descalço por uns dias.
Tire uma tarde livre
Para passear no parque ou na praia.
Saia sozinho para ouvir o canto dos pássaros.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, de ponta-cabeça.
Assista a outros programas de TV,
Compre outros jornais,
Leia outros livros,
Viva outros romances.
Troque de carro.

Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Corrija a postura, faça ginástica, durma mais tarde, ou acorde mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
Numa outra língua.
Escolha novas comidas, temperos, cores,
Diferentes delícias.
Experimente a gostosura da pouca quantidade.

Tente o novo todo dia.
O novo lado,
O novo método,
O novo jeito,
O novo sabor,
O novo prazer,
O novo amor.
A nova vida.
.
Faça novos amigos, mantenha novas relações,
Almoce em outros lugares,
 vá a outros restaurantes,
 tome outros tipos de bebida,
 compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde – ou vice-versa.
Escolha outro mercado, outra marca de sabão,
Novos cremes.
Tome banho em horários variáveis.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
(Comece agora uma viagem para bem longe do aqui.)

Faça amor de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
Compre novos óculos,
Escreva outras poesias, jogue fora o despertador.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, novos cabeleireiros,
Outros teatros.
Visite novos museus.

Mude.
Você conhecerá coisas melhores
E coisas piores do que as já conhecidas,
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
O movimento, o dinamismo,
A energia.
Dessa forma, apenas dessa forma – você viverá.
Só o que está morto não muda!

A salvação é pelo risco sem o qual a vida não valeria a pena.

(Trecho do livro Solidão a Mil, de Edson Marques)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Poesia de Victor Hugo


Desejo, primeiro, que você ame.
E que, amando, também seja amado.
E que, se não for, seja breve em esquecer.
E que, esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim.
Mas, se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo, também, que tenha amigos e
Que, mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis.
E que, pelo menos num deles,
Você possa confiar sem duvidar.

E, porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado
Seguro.

Desejo, depois, que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que, nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter
Você de pé.

Desejo, ainda, que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque
Isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente.
E que, fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais.
E que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer.
E que, sendo velho, não se dedique ao
Desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a
Sua dor, e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo, por sinal, que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas, que nesse dia, descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso
Constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo, ainda, que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo, também, que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano,
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o
Dono de quem.

Desejo, também, que nenhum de seus
Afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que, se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo, por fim, que você, sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que, sendo mulher,
Tenha um bom homem.
E que se amem hoje, amanhã e nos dias
Seguintes.
E, quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E, se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

(Victor Hugo)